O amor não tem razão, nem racionalização. A gente deveria amar o mais fácil, mas acaba caindo nas mãos daquele idiota cafajeste comedor, com quem você passou a melhor noite da sua vida. Por quê, por quê, ninguém sabe ao certo. Nem você. Mas tem uma coisa louca, parece que quando ele te abraça, você sai do chão. Fala meia dúzia de coisas bobas, intraduzíveis, porque nem você sabe ao certo o que estava falando. Aliás, só a possibilidade disso te faz sofrer.É o beijo dele. É o toque daquele desgraçado que te arrepia. O cara pode ser um imprestável. Nunca te prometeu casamento, mas te leva para voar de asa-delta com ele. Ou foi numa noite que ele te levou no observatório e disse o nome das estrelas. Não importa. Amar é a doença e a cura ao mesmo tempo.
Poucos têm a sorte de um amor tranqüilo. E quando o tem, é preciso se perguntar porque você ama. Enumere as razões, por mais absurdas que sejam. Se pergunte se houvesse uma segunda chance, você ainda assim amaria essa pessoa da mesma maneira. É a coisa mais importante, porque um dia você fatalmente vai fazer essa pergunta, seja hoje, seja daqui há vinte anos.
O cheiro dele te entorpece. Ele não responde as suas perguntas e, quando responde, o faz de forma vaga. Ele te perturba. Te deixa sem sono. O olhar vazio dele te enche de dúvidas.
A tal besta burra que a gente se queixa, mas que não se vive sem. A gente deveria amar direito e aprender a gostar de quem gosta da gente, mas amor é desafio, a adrenalina correndo solta no sangue. Não se ama as referências, nem a educação, nem a conta no banco. O amor aparece nos detalhes. E aí, quando você se pega gostando até da maneira que ele troca a marcha do carro, é tarde demais para mudar de opinião.
A realidade é que todos sonham com um amor de alma gêmea, por mais cafona que soe, mas nunca estamos preparados para isso. Ou somos demais, ou somos de menos. Se encontramos alguém que mereça ser amado, nos perguntamos se nós merecemos, também. Acabamos por nos colocar à mercê das situações. Buscar faz parte da gente e- infelizmente- quando paramos de procurar, é porque alguma coisa dentro de nós morreu.