Há alguns anos atrás nasci só pra chamar a atenção. Já comecei a criar um tumulto. Como não sabia esperar por nada, nem por ninguém, nasci com Síndrome de inquietação, de mãos e pés inquietos, andar rápido a olhar direto. Comecei tudo normal, menino perfumado e cheiroso na escola. Era um capeta. Notas ótimas, comportamento péssimo. Falava muito. Minha facilidade em transitar em vários mundos me fez conhecer milhares de pessoas. O tempo levou quase todos. Surgiram novos. Aprendi como fazer isso e essa arte não se aprende na escola. Gostava de ciências, sim, mas preferia apreciar toda a engrenagem de tudo aquilo. O circo por de trás sempre me fascinava. A vida é um teatro, uma arte. Sempre caprichava nas qualidades, mais que nos defeitos. Mas aparecia o ser humano completo. Fui sempre a frente do meu tempo. Vários passos adiante. Vivi sempre pensando no futuro. Via detalhes que ninguém via. O futuro chegou e não conheci o teletransporte, as viagens intergalácticas. Cresci. Casei-me com a noite e lua e a moda. Casei-me com um mundo novo, colorido e feliz, mas sempre mantive, mesmo que mínimo, um contato com o mundo real. O mundo novo se apresentou e virou referência. Perdi a minha. Mas aproveitei. Conheci outras tribos. Fiz amizades em todas. Aprendi com todas.
E me fixei em uma.Novos rumos, novas possibilidades. Vi possibilidades há dez mil anos luz de distância. Tracei planos perfeitos. Levei meu mundo junto. Mas abri pra novidades. Perdi-me nos detalhes, nas minúcias. Não me importei, no final. Agarrei-me às teorias, mas continuei profanando nas cabeças alheias, bagunçando as outras idéias e criando polêmicas. Agarrei-me a mim mesmo. “Quem tem talento, não precisa de sorte, mas de iniciativa”. Tomei algumas, Tomei as rédeas, reencontrei a bússola e os mapas. Voltei aos poucos pra minha estrada. Já estou dentro.Já fui inacreditavelmente feliz. Hoje sou feliz. Mas continuo arrogante, debochado, prepotente, como minha mãe diz. Características gerais. Falo muito. Às vezes fico extremamente calado e reservado. Falo alto, muito alto. Às vezes quase no silêncio. Falo com cães, gatos e árvores. Sei que eles entendem. Já tive provas suficientes disso. Meu perfeccionismo irrita a todos. Mas às vezes a falta dele também. Ambos também me irritam. Mas sempre resulta em bocas e caras arregaladas. Sou sincero demais. Gostaria que assim fossem comigo. Sinceridade é um dom admirável. Saber como colocá-la, sem ofensas, um dom maior ainda. Sou extravagante, indecente e nem um pouco tímido. Tenho ficado cada vez menos extravagante. Mas sempre indecente. Sei me posicionar e rápido. Intuição pura, às vezes. Outras mero raciocínio lógico. Assimilo nas entrelinhas. Falta de personalidade e atitude me irritam. Falta de amor próprio, em primeira instância me deprime. Em seguida me irrita também. Odeio “desculpas”. “Desculpas é passagem de ida ao sofrimento alheio, com volta inteiramente grátis”. As pessoas que se arrependem do que fizeram são as piores. As pessoas que não se arrependem do que fizeram são, no mínimo, interessantes. Quem só se escorrega perde a oportunidade aprender a se levantar. A beleza me atrai. Pessoas bonitas são um perfume suave, sedutor, luz brilhante. Gente bonita é necessário. Homens e mulheres. Atraio-me por cérebros e sorrisos. Não sou parnasiano, mas a forma me persegue. Aprendi que posso escolher o jogo. Mas quem faz as regras ainda está além da minha total compreensão. Aprendi que ter amigos é bom. Tem irmãos é reviver coisas boas do passado e que família é algo inseparável. Por mais que se reclame, são com eles que sempre poderemos contar. E que escutar os mais velhos e os mais novos além de divertido sempre se aprende. Hoje percebo que a vida é um teatro. A simplicidade dela nos complica. Dificilmente volto atrás, sou determinista, persistente, não sei perder, sou burro.
Mas de uma burrice admiravelmente inteligente. Mas tenho eu mesmo comigo.
E isto é mais do que se pode imaginar.